Paulo Cunha, no seu texto “O Cinema e a
Educação no Estado Novo: o caso da Comissão de Cinema Educativo (1932)”
refere-se à famosa sessão pública dos irmãos Lumière, aceite por muitos como
data oficial do nascimento da Sétima Arte, como a sexta projeção pública do cinematógrafo.
No mesmo ano, meses antes da famosa sessão pública, as primeiras
cinco sessões “foram orientadas para um público especializado composto por
industriais, fotógrafos, cientistas e académicos, respectivamente, e para a
legitimação científica da recente
invenção.” Os filmes projetados foram feitos no ano anterior.
Se não aceitarmos
a sessão pública de 22 de março de 1895 no Salon Indien do Grand Café como a data de nascimento do Cinema,
torna-se complicado datar a invenção. A verdade é que o Kinetoscópio de Thomas
Edison precede a invenção dos Lumière, que ganharam a corrida na questão da
projeção das imagens em movimento.
Temos ainda um outro caso deveras interessante, o Théàtre Optique de Émile Reynaud. O projeto de Reynaud precede também o cinematógrafo. O Teatro Óptico era Cinema como o conhecemos nos dias de hoje, um projeto audiovisual de Cinema de Animação. Apesar de o ter
previsto, Reynaud não utilizou a fotografia, utilizou a pintura para produzir o
que hoje sabemos serem os primeiros filmes de Animação. O seu projeto antecede
o “oficial” nascimento do Cinema e é um espetáculo audiovisual a cores. O
Teatro Óptico consistia de um Praxinoscópio ligado a uma Lanterna Mágica, a
projeção era feita sobre uma tela. Infelizmente só chegaram
à atualidade dois filmes deste animador.
O realizador Peter Kubelka afirma que Marey (cronofotógrafo)
é o pai do cinema. Marey antecede os irmãos Lumière e esta afirmação coloca (também)
em causa a polémica data de nascimento da Sétima Arte.
A cronologia tripartida cinema mudo, sonoro e a
cores não corresponde à real história do Cinema. É antes uma simplificação que
oculta a sua verdadeira História(s). Apesar da controversa datação do Cinema, podemos dizer que depois dos irmãos Lumière o cinema tornou-se
rapidamente um espetáculo à escala global.
Blog de Animação, Cinema, Banda Desenhada, Ilustração, Teatro de Marionetas e outras coisas mais...
segunda-feira, maio 19, 2014
segunda-feira, maio 05, 2014
Som Cinematográfico I
No livro "O ABC da linguagem Cinematográfica", de Arcangelo Mizzoleni, o autor apresenta-nos os sons cinematográficos divididos em três categorias:
- As Palavras e as Vozes
- Os Ruídos
- A Música
A música pode ser diegética ou extradiegética. No primeiro caso serve o propósito de "reforçar e aumentar a ilusão de realidade", no segundo caso tem "a função de sonorizar a ação ou ampliar o efeito emocional".
Os ruídos podem ser captados durante as filmagens, pós-sincronizados ou misturados em estúdio.
As palavras e as vozes podem ser divididas em três categorias. Os diálogos dos personagens, a narração do filme e o conceito de "palavra-emanação" que mais não são do que murmúrios ininteligíveis (conceito do autor Michael Chion).
Os sons no espaço fílmico podem ser sons internos (dentro de campo), sons fora de campo e sons do tipo over. Uma profundidade de campo sonora pode ser trabalhada como a profundidade de campo visual. Se um personagem é enquadrado usando um Grande Plano deveremos ouvi-lo mais distintamente caso o personagem fosse enquadrado em Plano Geral, ou seja, se o personagem está mais afastado da câmara devemos ouvi-lo com maior dificuldade se ele estivesse mais próximo da câmara, onde o deveremos ouvir com maior facilidade.
Nas relações temporais entre sons e imagens temos a sincronia/ assincronia e o paralelismo/contraponto audiovisual.
A primeira dupla conceptual refere-se à sincronização da imagem e do som ou a quebra dessa simultaneidade. Os desfasamentos temporais (assincronia) podem ser atrasos e antecipações. A assincronia é útil nos flashbacks quando a imagem de alguém que conta uma história é substituída por uma imagem do passado mas continuamos a ouvir a voz do que narra.
A segunda dupla conceptual (conceito de Siegfried Kracauer) é mais complexa e irei transcrever aqui as palavras do autor Arcangelo Mizzoleni para que seja claro:
"Há paralelismo quando por um lado, o som e, por outro lado, as imagens sincronizadas com o mesmo exprimem significados paralelos. Neste caso, o "peso" da da comunicação recai sobre um dos dois termos: no caso de um diálogo, por exemplo, as palavras podem ser mais importantes e as imagens passam para segundo plano; podem também prevalecer as imagens: os gestos, a fisionomia de quem fala exprimem os seus sentimentos "de um modo tão eficaz que as palavras pronunciadas em simultâneo se tornam uma mera repetição do que as imagens dizem" (...)
No contraponto, a linguagem verbal e as imagens assumem significados diferentes, na medida em que, como afirma agora Kracauer, "as imagens não são paralelas às expressões verbais de quem fala, mas contém coisas que não estão contidas nas palavras. Talvez um grande plano do rosto revele que quem fala é um hipócrita. (...)
No contraponto, imagens e palavras não confirmam os mesmo significados; produzem, sim, um significado novo e diferente que nasce da sua interacção."
Em relação ao narrador, Luís Nogueira no seu livro "Manuais do Cinema I: Laboratório de Guionismo", refere-se às suas categorias e nomeia-os: narrador autodiegético, homodiegético e heterodiegético.
O narrador autodiegético conta a história na primeira pessoa, ou seja, é o protagonista do filme. O narrador homodiegético conta a história como personagem participante, mas não é o protagonista. O narrador heterodiegético não pertence à diegese da narrativa que conta, é, portanto, exterior à realidade do filme.
Luís Nogueira fala-nos ainda da focalização, que corresponde ao ponto de vista da narração da história:
"A focalização condiciona o que as personagens sabem, o que o narrador sabe e, consequentemente, o que o espectador sabe.
Uma primeira modalidade é a da focalização externa: aqui toda a informação veiculada é objectivamente observável, sendo reveladas apenas as características materiais e superficiais de eventos e personagens. Quer isto dizer que existe sempre uma posição de exterioridade em relação às causas dos acontecimentos ou à caracterização das personagens. (...)
A focalização interna refere-se ao campo de consciência de uma personagem, àquilo que sabemos a partir dela, ou seja, tudo que ela vê, tudo o que ela sabe, sente ou pensa. (...)
Sobre a focalização omnisciente diremos que configura uma situação de transcendência cognitiva, em que tudo pode ser sabido. Neste caso, o narrador faz uso de uma capacidade de conhecimento ilimitada, como se nada escapasse ao seu saber."
Parece-me pertinente referir aqui o "Efeito Rashomon" em que temos vários narradores cujos relatos são contraditórios, ou seja, a descrição de um determinado evento é apresentada ao espectador sob o ponto de vista de diferentes personagens que se contradizem. O termo deriva do filme "Rashomon" de Akira Kurosawa.
Robert Edgar-Hunt no seu livro "Directing Fiction" fala (brevemente) sobre uma área que me interessa e que tem um enorme potencial no Cinema e mais especificamente no Cinema de Animação: Foley.
O autor refere que o Foley (em França usam a expressão Bruitage) se pode referir a várias coisas: o soudscape de um filme, a regravação de vozes depois de terminado o filme e os efeitos sonoros. Interessa-me mais este último - os efeitos sonoros. O vocábulo Foley surge do nome de Jack Foley (1891-1967) que foi engenheiro de som em Hollywood.
Um artista Foley para Animação produz sons/ruídos a partir de elementos que podem ser considerados objetos do quotidiano ou mesmo lixo. No site da revista Empire podemos ler o seguinte no artigo On-set Jargon Explained (www.empireonline.com/features/film-studies-101-film-terms-explained):
"(...) Foley artists might smack a piece of leather to get a good punching sound, or snap a carrot when a bone is broken. For scenes of disembowelment, the squelching of pasta is a favourite."
Tive a felicidade de assistir à masterclass de Loic Burkhardt (www.imdb.com/name/nm1051768/) durante o Festival A Monstra em 2011 e fui surpreendido pela capacidade do Loic em simular o voo de um pássaro com um simples pano... entre outros truques. Para os que afirmam que mais de 50% de uma animação é o som tenho de sublinhar que um bom artista Foley é de extrema importância.
Em relação à composição para cinema (score ou soundtrack) parece-me pertinente referir alguns nomes que criaram as bandas sonoras que eu gosto e que muita gente admira. São músicas que nos marcam e que fazem parte da cultura popular.
Bernard Herrmann
Ennio Morricone
John Williams
Alan Silvestri
- As Palavras e as Vozes
- Os Ruídos
- A Música
A música pode ser diegética ou extradiegética. No primeiro caso serve o propósito de "reforçar e aumentar a ilusão de realidade", no segundo caso tem "a função de sonorizar a ação ou ampliar o efeito emocional".
Os ruídos podem ser captados durante as filmagens, pós-sincronizados ou misturados em estúdio.
As palavras e as vozes podem ser divididas em três categorias. Os diálogos dos personagens, a narração do filme e o conceito de "palavra-emanação" que mais não são do que murmúrios ininteligíveis (conceito do autor Michael Chion).
Os sons no espaço fílmico podem ser sons internos (dentro de campo), sons fora de campo e sons do tipo over. Uma profundidade de campo sonora pode ser trabalhada como a profundidade de campo visual. Se um personagem é enquadrado usando um Grande Plano deveremos ouvi-lo mais distintamente caso o personagem fosse enquadrado em Plano Geral, ou seja, se o personagem está mais afastado da câmara devemos ouvi-lo com maior dificuldade se ele estivesse mais próximo da câmara, onde o deveremos ouvir com maior facilidade.
Nas relações temporais entre sons e imagens temos a sincronia/ assincronia e o paralelismo/contraponto audiovisual.
A primeira dupla conceptual refere-se à sincronização da imagem e do som ou a quebra dessa simultaneidade. Os desfasamentos temporais (assincronia) podem ser atrasos e antecipações. A assincronia é útil nos flashbacks quando a imagem de alguém que conta uma história é substituída por uma imagem do passado mas continuamos a ouvir a voz do que narra.
A segunda dupla conceptual (conceito de Siegfried Kracauer) é mais complexa e irei transcrever aqui as palavras do autor Arcangelo Mizzoleni para que seja claro:
"Há paralelismo quando por um lado, o som e, por outro lado, as imagens sincronizadas com o mesmo exprimem significados paralelos. Neste caso, o "peso" da da comunicação recai sobre um dos dois termos: no caso de um diálogo, por exemplo, as palavras podem ser mais importantes e as imagens passam para segundo plano; podem também prevalecer as imagens: os gestos, a fisionomia de quem fala exprimem os seus sentimentos "de um modo tão eficaz que as palavras pronunciadas em simultâneo se tornam uma mera repetição do que as imagens dizem" (...)
No contraponto, a linguagem verbal e as imagens assumem significados diferentes, na medida em que, como afirma agora Kracauer, "as imagens não são paralelas às expressões verbais de quem fala, mas contém coisas que não estão contidas nas palavras. Talvez um grande plano do rosto revele que quem fala é um hipócrita. (...)
No contraponto, imagens e palavras não confirmam os mesmo significados; produzem, sim, um significado novo e diferente que nasce da sua interacção."
Em relação ao narrador, Luís Nogueira no seu livro "Manuais do Cinema I: Laboratório de Guionismo", refere-se às suas categorias e nomeia-os: narrador autodiegético, homodiegético e heterodiegético.
O narrador autodiegético conta a história na primeira pessoa, ou seja, é o protagonista do filme. O narrador homodiegético conta a história como personagem participante, mas não é o protagonista. O narrador heterodiegético não pertence à diegese da narrativa que conta, é, portanto, exterior à realidade do filme.
Luís Nogueira fala-nos ainda da focalização, que corresponde ao ponto de vista da narração da história:
"A focalização condiciona o que as personagens sabem, o que o narrador sabe e, consequentemente, o que o espectador sabe.
Uma primeira modalidade é a da focalização externa: aqui toda a informação veiculada é objectivamente observável, sendo reveladas apenas as características materiais e superficiais de eventos e personagens. Quer isto dizer que existe sempre uma posição de exterioridade em relação às causas dos acontecimentos ou à caracterização das personagens. (...)
A focalização interna refere-se ao campo de consciência de uma personagem, àquilo que sabemos a partir dela, ou seja, tudo que ela vê, tudo o que ela sabe, sente ou pensa. (...)
Sobre a focalização omnisciente diremos que configura uma situação de transcendência cognitiva, em que tudo pode ser sabido. Neste caso, o narrador faz uso de uma capacidade de conhecimento ilimitada, como se nada escapasse ao seu saber."
Parece-me pertinente referir aqui o "Efeito Rashomon" em que temos vários narradores cujos relatos são contraditórios, ou seja, a descrição de um determinado evento é apresentada ao espectador sob o ponto de vista de diferentes personagens que se contradizem. O termo deriva do filme "Rashomon" de Akira Kurosawa.
Robert Edgar-Hunt no seu livro "Directing Fiction" fala (brevemente) sobre uma área que me interessa e que tem um enorme potencial no Cinema e mais especificamente no Cinema de Animação: Foley.
O autor refere que o Foley (em França usam a expressão Bruitage) se pode referir a várias coisas: o soudscape de um filme, a regravação de vozes depois de terminado o filme e os efeitos sonoros. Interessa-me mais este último - os efeitos sonoros. O vocábulo Foley surge do nome de Jack Foley (1891-1967) que foi engenheiro de som em Hollywood.
Um artista Foley para Animação produz sons/ruídos a partir de elementos que podem ser considerados objetos do quotidiano ou mesmo lixo. No site da revista Empire podemos ler o seguinte no artigo On-set Jargon Explained (www.empireonline.com/features/film-studies-101-film-terms-explained):
"(...) Foley artists might smack a piece of leather to get a good punching sound, or snap a carrot when a bone is broken. For scenes of disembowelment, the squelching of pasta is a favourite."
Tive a felicidade de assistir à masterclass de Loic Burkhardt (www.imdb.com/name/nm1051768/) durante o Festival A Monstra em 2011 e fui surpreendido pela capacidade do Loic em simular o voo de um pássaro com um simples pano... entre outros truques. Para os que afirmam que mais de 50% de uma animação é o som tenho de sublinhar que um bom artista Foley é de extrema importância.
Em relação à composição para cinema (score ou soundtrack) parece-me pertinente referir alguns nomes que criaram as bandas sonoras que eu gosto e que muita gente admira. São músicas que nos marcam e que fazem parte da cultura popular.
Bernard Herrmann
Ennio Morricone
John Williams
Alan Silvestri
quarta-feira, abril 23, 2014
Sinopse e Argumento
Doc Comparato, no seu livro
“Da Criação ao Guião”, não distingue sinopse de argumento. Para ele são uma e a
mesma coisa. Refere que o “argumento, ou a sinopse, é a story line desenvolvida sob a forma de texto” e prossegue com a etimologia das palavras argumentum (latim) e sinopsis
(grego), concluindo que ambos os termos tendem a confluir. Comparato
considera a sinopse o resumo de uma história e nomeia dois tipos de sinopse, a
pequena sinopse e a grande sinopse. A primeira vai de duas a cinco folhas, a
segunda, que pode incluir diálogo, ocupa dez fólios por cada hora de
audiovisual, ou seja um total de quarenta páginas por cada hora.
Luís Nogueira (Manuais do Cinema do LabCom) afirma que a
sinopse pode ser mais ou menos extensa e é indispensável na criação do guião
cinematográfico. O autor propõe uma distinção entre sinopse narrativa e sinopse
criativa:
“A
sinopse narrativa ocupa-se da história. Como a etimologia do termo indica (do
grego syn: em conjunto + ópsis: visão), a sinopse é um texto ou um relato que
nos permite ter uma visão de conjunto da história, ou seja, é um resumo, uma
síntese, da qual constam (e apenas) os elementos fundamentais daquela. Usa-se
também com frequência e sinonimamente a expressão anglófona story line, o que
não deixa de ser correcto (…)
Mas
podemos igualmente falar de uma sinopse criativa, a qual englobaria juntamente
com a história todo um conjunto de informações que a envolvem e a transcendem:
o género do filme, o currículo dos autores, o palmarés dos actores ou as
opiniões críticas acerca da obra, por exemplo. Assim, podemos dizer que se a
sinopse narrativa efectua um resumo da história, a sinopse criativa faz um
resumo da obra.”
Terrence Marner, no seu livro “A Realização
Cinematográfica”, refere-se ao “argumento cinematográfico” como um
“desenvolvimento da sinopse” ou, ainda um “guião literário”. Inclui também o
uso de diálogo:
“Trata-se
de uma exposição mais vasta do tema, semelhante à forma de um conto. Quando for
necessário o diálogo para que progrida o entrecho ou para dar a conhecer
facetas de uma determinada personagem, o texto é mencionado entre aspas, como
na literatura, e não se separa, como acontece na peça de teatro ou no guião
cinematográfico.”
Convém referir que Marner distingue entre
“sinopse” e “desenvolvimento da sinopse”. O autor define que a sinopse tem
cinco páginas e que o seu desenvolvimento tem cinquenta páginas. O número de
páginas que o autor indica não é uma regra, mas sim, segundo o próprio, uma
orientação.
Parent-Altier diz-nos que a
escrita da sinopse é uma das técnicas incontornáveis da gestão da estrutura
narrativa, permite organizar e alterar a cronologia da obra: “A maioria dos
argumentistas anglo-saxónicos tem o hábito de começar pela sinopse, gerando
assim a estrutura da narrativa antes de entrar nos pormenores de uma cena ou de
uma sequência.” O autor explica que existem várias formas de sinopse e
enumera-as:
“(...)
1. a sinopse curta, que tem meia página; 2. a sinopse longa, (...) que tem uma,
duas ou três páginas; 3. o tratamento, uma sinopse pormenorizada que estabelece
o histórico do enredo e da acção, em prosa, no tempo presente, sem diálogo, que
pode ter até 50 páginas (...); 4. o outline: (...) é um resumo do argumento
cena por cena, sem diálogo; 5. o step-outline, (...) é o «argumento contado
passo a passo numa sucessão de cenas numeradas por ordem, tendo para cada cena
uma frase que resume a acção que decorre».”
O autor, depois de afirmar que as duas
primeiras formas de sinopse enumeradas são indispensáveis, determina que a
sinopse curta “resume o enredo em poucas palavras, descreve a história e,
implicitamente, o tema”. Refere ainda que o pitch
é “a versão oral da sinopse utilizada pelos argumentistas do outro lado do
Atlântico aquando da apresentação inicial do seu projeto a um produtor.”
Michael Hauge, na sua palestra “Michael
Hauge on pitching”, para a Screen
Australia, disponível no sítio oficial (http://screenaustralia.gov.au),
defende que a melhor forma de vender uma ideia para um filme é através do pitching. O autor estabelece que o pitch deve integrar os seguintes passos:
1º Protagonista; 2º Quotidiano; 3º Oportunidade; 4. Nova situação; 5.
Objetivo; 6. Conflito.
A segunda e indispensável forma de sinopse
que Parent-Altier refere é a sinopse longa. Em relação a esta
o autor diz-nos o seguinte:
“A
sinopse mais organizada organiza-se em torno de dispositivos narrativos
estruturais, como o acto. Os acontecimentos-chave do enredo, o incidente
desencadeador, as crises, o clímax e a resolução estão nele inscritos, bem como
as reviravoltas de situações.”
É importante referir que Parent-Altier não
faz distinção entre argumento e guião, portanto, o argumento de que fala, e a
formatação de texto que exemplifica no seu livro, corresponde à do guião para
outros autores.
Na lista, Parent-Altier, não menciona outros
termos como logline e storyline que João Nunes explica e
desenvolve no seu blogue. Em relação ao primeiro diz-nos que: “A logline é apenas
a descrição destes três elementos – protagonista, objectivo
e obstáculo – num único parágrafo, na forma mais sintética possível.”
Em relação ao Segundo termo, João Nunes avisa-nos que se utiliza com frequência “a expressão storyline como sinónimo de enredo (plot)”
pelo que o seu uso pode ser confuso. A storyline é também “o resumo mais
sintético da estória completa.”
João Nunes explica-nos também no seu blogue
que o termo outline e mais especificamente o step-outline é chamado, em
Portugal, de “escaleta”. Palavra italiana que significa escada, introduzida no
nosso país pela mão da argumentista Suso Cecchi D'Amico.
Doc Comparato, ao contrário de
Parent-Altier, estabelece uma distinção entre argumento e guião, afirmando:
“Quanto a nós, o argumentista é o “fazedor de histórias”, enquanto que o
guionista é “aquele que escreve o guião”, embora normalmente as duas funções
sejam desempenhadas por uma mesma pessoa.”
Rui Zink (1999. Pág. 36) no seu livro
“Literatura Gráfica? Banda Desenhada Portuguesa Contemporânea” contraria
Comparato e diz-nos que “Argumentista ou guionista são expressões equivalentes,
transpostas do cinema para a BD por analogia.” Zink afirma ainda que o
argumentista (ou guionista), muitas vezes, não é o autor da narrativa e o seu
papel é o do intermediário cujo trabalho técnico não artístico. Ele contrapõe
argumentista/ guionista a escritor e atribui ao último o papel de autor
criativo, opondo-o ao de simples técnico capacitado para a escrita
cinematográfica.
Não há consenso em
relação a este tema, diferentes autores possuem perspetivas distintas e
por vezes contraditórias entre si.
Ficção Científica I: Origens
Edmundo Cordeiro (2007. Pág. 120) sobre as
origens da ficção científica concorda com Javier Memba e afirma que apesar de
alguns autores sugerirem que a FC tem a sua génese na Odisseia de Homero é
“mais aceitável fazê-la começar na obra de Mary Shelley, Frankenstein”, sem esquecer obras como “a Utopia de Thomas Moore (1516) e A
Nova Altlântida, de Francis Bacon (1627) ou as Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift (1726)”.
O artista plástico Ward Shelley criou uma
infografia muito interessante com a evolução da Ficção Científica e dos seus
subgéneros intitulada History of Science
Fiction (outras denominações em inglês para FC são “Sci fi” ou “SF”). Nesta infografia/ilustração aparece de forma tímida a
referência a um conto de Voltaire intitulado Micromégas, Histoire Philosophic. Depois de uma leitura atenta
parece-me que o pequeno conto tem todos os ingredientes para ser considerado
uma obra de Ficção Científica.
Thomas Disch (2000. Pág. 34) afirma que “[Edgar Allan] Poe is the source, because
people read his stories.” Relutante (devido à questão de Shelley não ter um
tão grande número de leitores e não ser tão influente), Disch (2000.
Pág.33), confirma a maternidade de Mary
Shelley: “(...) there remains one
significant rival to Edgar Allan Poe as the genre’s founding genius: Mary
Shelley, the author of Frankenstein (1818).”
Mas voltemos a Voltaire. Thomas Disch (2000.
Pág. 32) infelizmente não o inclui na sua lista de “Proto-SF writers” na qual refere nomes como Rabelais, Cyrano de
Bergerac e Jonathan Swift. Farei de seguida um pequeno resumo do conto de
Voltaire (Micromégas, Histoire Philosophic) que pode ser lido online no sítio do Projeto Gutenberg (www.gutenberg.org).
Micromégas é um jovem habitante de um planeta
que orbita Sirius. O jovem cientista e inventor é, quando comparado com a raça
humana, um ser de enormes proporções e com um ciclo de vida incomparavelmente
maior.
Após dissecar pequenos animais (pulgas) do seu
planeta escreveu um livro sobre o assunto, o livro foi considerado herético e
Micromégas foi banido por 800 anos. Viajou pelo universo: “Our voyager was very familiar with the laws
of gravity and with all the other attractive and repulsive forces. He utilized
them so well that, whether with the help of a ray of sunlight or some comet, he
jumped from globe to globe like a bird vaulting itself from branch to branch.”
Após conhecer vários planetas e vários seres
Micromégas chegou a Saturno e espantou-se com o reduzido tamanho dos seus
habitantes, o número reduzido dos seus sentidos e o curto ciclo de vida (apenas
15.000 anos).
Micromégas e um saturniano filósofo (secretário
da academia) com quem fez amizade decidiram viajar juntos e, depois de correrem
alguns planetas do sistema solar, aterraram no planeta Terra na sua nave
espacial. Ao princípio o saturniano julgou ser um planeta desabitado, depois
encontraram uma baleia com o auxíio de um microscópio numa pequena poça (Mar
Báltico) e por fim um barco com vários humanos a bordo.
Micromégas apercebeu-se de que os pequenos
seres (“átomos”) falavam entre si, como não os conseguia ouvir cortou um
pequeno pedaço da sua unha e usou-a como amplificador para escutar o que os
seres diziam. Usou depois um palito para poder falar com eles reduzindo a
intensidade da sua voz.
Micromégas, o saturniano e os filósofos e
cientistas a bordo da nave trocaram ideias e conhecimentos científicos. Falaram
de guerras e da alma. Micromégas apercebeu-se que, apesar de minúsculos, o seu
ego e orgulho era gigante pois no fim da conversa um deles afirmou: (...) everything would be
found in the Summa of Saint
Thomas. He looked the two celestial inhabitants up and down. He argued that
their people, their worlds, their suns, their stars, had all been made uniquely
for mankind. At this speech, our two voyagers nearly fell over with that
inextinguishable laughter (…)”.
Micromégas com grande gentileza promete-lhes um
livro com o “sentido de tudo”. Mais tarde, na academia das ciências em Paris,
um velho secretário abre e percebe que as folhas do livro estão em branco.
Jasmina Milos (2011. Pág. 8), na sua tese Micromégas: Traduction d’un conte de Voltaire informa-nos que “Micromégas a été rédigé en 1739 et
publié en 1752, pendant que Voltaire était en Prusse”. José Barros, no seu artigo Voltaire:
Considerações sobre sua Historiografia e Filosofia da História (Revista da
Teoria da História Ano 3, Número 7, Jun/ 2012. Universidade Federal de Goiás)
diz-nos que: “Com Micromégas (1752),
Voltaire chega a prenunciar o género da ficção científica (…)”. Parece-me que o conto é evidentemente uma obra de FC...
Na Biblioteca do sítio da The European Graduate School: Graduate & PostGraduate Studies (www.egs.edu) temos acesso a uma sucinta
biografia de Voltaire onde podemos ler uma clara referência ao texto sobre
Micromégas e seu companheiro saturniano: “In
Potsdam Voltaire wrote perhaps one of the first science-fiction novels
involving representatives from other planets looking at humans on earth.”
Ainda no assunto dos “Proto-SF Writers” Robert Grant (2013. Pág. 208) antes de nos
mostrar a sua lista selecionada de literatura de FC (que começa com a obra de
Mary Shelley) diz-nos que apesar de podermos traçar a origem do género até ao Épico
de Gilgamesh (parece-me exagero!) é mais provável que tenha surgido no séc. XVII com as obras Somnium de Kepler e The other world de Bergerac,
continuando a desenvolver-se no séc. XVIII com trabalhos de Swift, Defoe entre
outros. Carl Sagan na sua famosa série televisiva Cosmos, no episódio Harmony of
the Worlds indica a obra de Johannes Kepler – Somnium – como uma das primeiras obra de Ficção Científica. Uma
fantástica viagem à Lua publicada postumamente pelo seu filho em 1634. No sítio
www.johanneskepler.info o conto é
anunciado como a primeira obra do género.
Literatura e cinema I: Saramago e Ficção Científica
Robert McKee, no seu livro “Story – Substance, Structure, Style, and the
principles of screenwriting”, diz-nos que apesar das dificuldades em definir uma lista consensual
entre os académicos e um conjunto de elementos específicos para definir os
géneros e um sistema universal, o público consumidor já se especializou em
géneros cinematográficos e entra na sala de cinema com um conjunto de
suposições com base no visionamento de muitos filmes. Parece-me que o mesmo se pode dizer da indústria literária.
A Ficção Científica é ainda vista por muitos como matéria para teenagers e adultos masculinos infantilizados. Isso é redutor. Obviamente que este género, como todos os géneros, tem bons e maus exemplos. Parece-me a mim que a FC tem um enorme potencial narrativo e especulativo e está em franco crescimento.
No texto “José Saramago e a Ficção
Científica em Portugal” de Ermelinda Ferreira (2012. Pág. 125), incluído no livro “Cibercultura e
Ficção” (com organização de Jorge
Martins Rosa), a autora cita Robert Silverberg:
“(...) em sua coluna «Reflections» da revista americana Asimov’s Science Fiction, publicou em 2001 o artigo «Causa e Efeito» no qual diz: «Acabei há pouco tempo de ler um romance espantoso de FC escrito por alguém cujo trabalho é provavelmente desconhecido para a maioria de vocês: o português José Saramago. O romance intitula-se Ensaio sobre a Cegueira e é um exemplar assombroso da ficção científica social de Asimov: um exame das consequências sociais de um único desvio aterrador da nossa realidade.»”
Na revista Bang! nº 0 (Novembro de 2005) José Candeias, no seu texto “Saramago: O Nobel da Ficção Científica”, diz-nos que Saramago tem somente um livro que pode ser incluído no género FC, o “Ensaio sobre a cegueira”. O autor afirma que o livro de Saramago é um livro de Ficção Científica devido à forma realista e verosímil da sua escrita e a sua coerência “quer com a premissa inicial, quer com a realidade das coisas tal como as conhecemos.” A revista Bang (Fantástico, FC e Horror) é de distribuição gratuita e os seus vários números (Portugal e Brasil) podem ser acedidos no site oficial http://revistabang.com
Para mim, que sou consumidor assíduo de FC e Fantástico (Literatura, Cinema/ Animação e BD) é muito interessante perceber que este magnífico livro (e filme) é considerado um bom exemplo deste género (FC).
quinta-feira, abril 10, 2014
Ensino e Cinema I
O Cinema
e o Ensino podem relacionar-se de diferentes formas. Luís de Pina, no seu livro
de 1964 “Educação pelo cinema e para o cinema em Portugal”, estabelece logo no
título duas vertentes de como as duas áreas se podem ligar. O Cinema pode ser
um auxiliar do professor ou a própria matéria de estudo. Como auxiliar de
ensino o autor faz a distinção entre Cinema didático, educativo e recreativo, considerando
que esta divisão não é estanque e as suas fronteiras não são definidas:
“(...) é necessário distinguir entre cinema didático, educativo e recreativo. No primeiro, transmitem-se directamente conhecimentos integrados no conteúdo didáctico da lição. No segundo, os conhecimentos são transmitidos de forma indirecta, por adaptação, estando organizados no filme para transmitir uma ideia global e não segundo um esquema científico. No terceiro, finalmente, a missão do filme é essencialmente a de distrair, embora exista sempre um conteúdo susceptível de aproveitamento pedagógico”
Graça
Lobo, no seu texto “Por dentro do filme – o cinema na sala de aula” faz uma
distinção semelhante e divide em três domínios as possibilidades de utilização
do Cinema na escola. No primeiro, ensinar “com”
o Cinema o filme serve para ilustrar determinado assunto. No segundo, ensinar “pelo” Cinema o filme é construído
propositadamente para o ensino. No terceiro domínio, ensinar “o” Cinema, a autora refere-se ao ensino da linguagem cinematográfica.
No que
toca ao ensino do Cinema gostaria de referir os quatro Manuais do Cinema de
Luís Nogueira (2010). Os mesmos estão disponíveis gratuitamente no site do LabCom
da UBI (www.labcom.ubi.pt) e os seus títulos são:
Manuais
do Cinema I: Laboratório de Guionismo
Manuais
do Cinema II: Géneros Cinematográficos
Manuais
do Cinema III: Planificação e Montagem
Manuais
do Cinema IV: Os Cineastas e a sua Arte
Estes
manuais tem sido uma referência muito interessante em duas unidades
curriculares (uc) que leciono no IPBeja, a uc de Laboratório de Vídeo e a uc de
Argumento (em co-docência).
Não posso
deixar de referir aqui a importância dos manuais da Universidade Lusófona. São
vários e de grande qualidade. A questão prende-se com a gratuitidade dos livros
do Luís Nogueira e com a facilidade de os disponibilizar aos alunos.
Outra
coleção de livros, mas na vertente do Ensino com recurso ao Cinema é o projeto
“O Cinema vai à Escola”. No site do projeto são disponibilizados “Cadernos de
Cinema do Professor” em formato PDF para download gratuito (http://culturacurriculo.fde.sp.gov.br/Cinema/Cinema.aspx)
. Apesar de nunca ter feito uso dos mesmos não podia deixar de os indicar neste
post.
Para a uc
de Argumento gostaria ainda de referir a importância do freeware Celt-x (uma maravilha) e de dois textos muito interessantes/gratuitos: um disponibilizado no
site da BBC (www.bbc.co.uk/writersroom/send-a-script/formatting-your-script)
intitulado “Screeplay Format”, de Matt Carless, o outro texto é do João Nunes, com o título "Como Escrever o seu Argumento de Cinema em 30 Dias". Está disponivel em formato eletrónico no seu site (http://joaonunes.com).
Animação VI: Morphing
O Morphing é um efeito especial utilizado
no Cinema e no Cinema de Animação com frequência. Todos nos lembramos do
videoclip do Michael Jackson “Black or
White” quando no final do mesmo várias pessoas de várias cores se
metamorfoseiam umas nas outras. Um efeito tecnicamente bem conseguido e
conceptualmente relacionado com o tema da canção.
Etimologicamente, a palavra
metamorfose vem do grego e significa transformação: uma lagarta que se
transforma em pupa, que se transforma em borboleta é um bom exemplo. Outro
exemplo, mais literário, é o de Zeus que se transfigura em vários animais para
poder dar umas “escapadinhas”...
Émile
Cohl, na sua curta de desenhos animados “Fantasmagorie” (1908), aplica este
efeito e produz uma Animação de transformações. Carlos Borges no Boletim
Cultural da Gulbenkian nº 12 (VI série/ Maio de 1989) afirma que a “metamorfose
assume um papel importante nos filmes de Cohl”. Este boletim está disponível online gratuitamente.
O filme "Métamorphoses" realizado por Segundo de Chomón em 1912 é um exemplo interessante de objetos que se metamorfoseiam (e incendeiam) uns nos outros com recurso ao Stop Motion e inversão da ação. Este não é um filme de Animação mas possui várias sequências animadas.
O filme "Métamorphoses" realizado por Segundo de Chomón em 1912 é um exemplo interessante de objetos que se metamorfoseiam (e incendeiam) uns nos outros com recurso ao Stop Motion e inversão da ação. Este não é um filme de Animação mas possui várias sequências animadas.
O filme
de Ryan Larkin “Street Musique” de
1972 tem o carácter experimental de uma Straight
Ahead Action (ver 12 princípios da Animação). A sequência animada com
recurso ao Morphing é muito
interessante e um bom exemplo, no que toca ao método tradicional.
Um dos
primeiros filmes em CGI é de 1973, realizado por Peter Foldès para a National Film Board of Canada (NFB),
intitula-se “Hunger”. Está disponível
para visionamento no site oficial www.nfb.ca. O filme é composto por várias sequências Morphing que lhe dão um carácter
perturbador, acentuado pela música repetitiva.
O filme “Baby Snakes” de Frank Zappa (1979) tem
várias sequências animadas em plasticina (Claymation)
pelo talentoso animador Bruce Bickford. Este realizou em 1988 uma curta metragem
intitulada “Prometheus Garden” que só
viria a ser lançada (em DVD) em 2008. Data indicada no IMDB – Internet Movie Database (www.imdb.com).
Os
Estúdios Aardman produziram várias curtas com um personagem chamado Morph. Um
boneco de plasticina que de vez em quando se transforma... O personagem surge
nos anos setenta e continua a ser produzido (www.morphfiles.com).
O filme “From the Big Bang to Tuesday Morning” realizado
por Claude Cloutier (em 2000) para a NFB contém vários Morphings. A simplicidade e beleza do filme são esmagadoras.
“Muto” do realizador Blu (www.blublu.org) é uma Animação de 2008 feita com o
recurso ao graffiti. O filme mistura
de forma inteligente e inovadora Animação Tradicional e Animação Stop Motion. A rudeza das sequências não
diminuem em nada a qualidade desta curta metragem. Em 2010 Blu realizou a curta
metragem “Big Bang Big Boom”,
premiada nesse ano no maior Festival de Animação nacional, o Cinanima (em
Espinho).
Na
unidade curricular de Animação 2D3D do curso de Artes Plásticas e Multimédia do
IPBeja tenho apresentado um enunciado de Morphing, em baixo estão dois exemplos:
Etiquetas:
Animação
Local:
7800 Beja, Portugal
Animação V: Pixilação
Tenho
vindo a desenvolver curtas metragens com alunos de Artes Plásticas e Multimédia
(APM) e alunos de Educação e Comunicação Multimédia (ECM) do IPBeja com recurso
a esta técnica de Animação Stop Motion –
Pixilação – com alguns resultados interessantes.
Esta
técnica permite a Animação de seres humanos (e objetos...) como se fossem
marionetas. O termo vem da palavra “Pixilated”,
um americanismo do séc. XIX que nomeia
uma pessoa excêntrica, brincalhona e tolinha. “Pixilated” tem origem na palavra “Pixie” que significa uma fada ou pessoa enganadora.
Acredita-se
que o termo “Pixilation” tenha sido
cunhado por Grant Munro ou por Norman McLaren aquando da realização do clássico
“Neighbours”, filme de 1952 que
mistura Motion com Stop Motion (Pixilação). Este filme
ganhou um Oscar em 1953 na categoria de “Best
Short Documentary”, género no qual julgo não se integrar minimamente...
Antes do
termo “Pixilation” ser cunhado temos
vários exemplos de filmes que usam esta técnica.
“El Hotel Eléctrico”, de 1908, realizado por Segundo de Chomón é um
filme muito interessante. Este filme é referido no documentário espanhol “História del Cine: Epoca Muda”, de
1983.
Outro
autor que mistura Motion com Stop Motion de forma sublime é o
animador/artista plástico checo Jan Svankmajer. Filmes como “Alice” (“Neco z Alenky”, de 1988) e “Food”
(“Jídlo”, de 1993) são,
infelizmente pouco conhecidos e pouco divulgados. Para mais informações sobre
este animador recomendo o visionamento da curta documental “The Animator of Prague” de 1990.
Uma curta
metragem de Pixilação interessantíssima e, julgo eu, um pouco mais divulgada é
a Animação “Western Spaghetti” do
animador Pes. Esta animação de 2008 Pode ser visionada (assim como outras) no
site oficial deste animador www.eatpes.com.
“The Secret Adventures of Tom Thumb” de 1993, realizado por Dave Borthwick é uma longa
metragem que recorre a esta técnica. A técnica da Pixilação tem sido usada com
frequência em videoclips dos quais destaco o dos Ok Go, “End Love” dos realizadores/coreógrafos Eric Gunther e Jeff
Lieberman (2010), o “Tomo Conta Desta Tua casa” dos Virgem Suta, realizado por
Edgar Ferreira (2009) e o lindíssimo “Her
Morning Elegance” de Oren Lavie, realizado por Oren Lavie, Yuval e Merav
Nathan (2007). Este último é uma óptima referência desta técnica.
Outro videoclip que não posso deixar de referir (e que é uma referência para a minha geração) é o "Sledgehammer" do Peter Gabriel, realizado por Stephen R. Johnson (Aardman+Brothers Quay) em 1986.
Outro videoclip que não posso deixar de referir (e que é uma referência para a minha geração) é o "Sledgehammer" do Peter Gabriel, realizado por Stephen R. Johnson (Aardman+Brothers Quay) em 1986.
Em baixo disponibilizo dois trabalhos desenvolvidos pelos alunos de APM e ECM:
segunda-feira, abril 07, 2014
Animação IV: Lip Sync
Se queres
que os teus personagens falem existem várias forma de o fazer, umas mais
complexas, outras mais fáceis. A sincronização labial (Lip Sync) pode ser feita com apenas dez bocas. Se queres mais fácil
ainda podes fazer com duas posições, boca aberta e boca fechada. Aviso desde já
que o efeito não é o mesmo.
Se
seguirmos o exemplo dos japonese (Anime)
e não nos preocuparmos com o movimento do maxilar inferior temos a vida
facilitada e as dez bocas a que me referi quando colocadas sobre a face do
personagem irão permitir que possamos animar qualquer frase que este diga.
Em baixo
estão as bocas a que me referi, toma atenção porque estão a representar a
fonética anglo-saxónica. Antes de as usar faz a conversão para a fonética
lusófona. O “E” é o nosso “I”, o “W and Q” é o nosso “U”, o “U” é o nosso “O” e o “O” é o nosso “E”. De notar que a
posição “Rest” refere-se a todos as
outras posições e não a descanso.

Quando
sequenciares as imagens com os sons tenta ser pragmático, algumas palavras
serão animadas letra a letra, em outros casos deves animar sílaba a sílaba.
Depende da frase, do sotaque e da velocidade a que a frase é debitada.
Em baixo
coloco duas curtas metragens de duas alunas de Artes Plásticas e Multimédia
produzidas na unidade curricular que leciono: Animação 2D3D.
Formas
mais complexas de Lip Sync envolvem a
construção de toda a face ou parte dela de forma que possa ser substituída durante
a realização. Eu proponho um método mais simples em que as posições chave são
fotografadas (Claymation) e depois
animadas em software de edição não linear. Como exercício para aprender a
animar é útil pois é rápido e fácil de concretizar em contexto de sala de aula.
Para projetos mais profissionais pode ser limitador. Apesar de eu sugerir Claymation podes aplicar estes
conhecimentos em outra técnica Stop
Motion qualquer (Pixilação, Sand
Animation, Cut-Out Animation...), ou em Animação Digital (3D, desenho
vectorial, bitmap) ou mesmo o analógico Método Tradicional (desenho a desenho).
Para
obter um maior “realismo” na animação deves fotografar o personagem com os olhos semicerrados e fechados. Desta forma, durante a edição,
podes pô-lo a abrir e a fechar os olhos tornando-o
mais credível e interessante.
Os Estúdios Aardman (http://www.aardman.com) tem um conjunto de curtas metragens com entrevistas a animais, "Creature Conforts". Recomendo vivamente o seu visionamento.
Os Estúdios Aardman (http://www.aardman.com) tem um conjunto de curtas metragens com entrevistas a animais, "Creature Conforts". Recomendo vivamente o seu visionamento.
Se queres
colocar dois personagens frente a frente em diálogo (talking heads) recomendo que estudes escalas de planos (plano geral,
plano conjunto, plano americano, plano próximo, plano aproximado de peito,
grande plano, plano de pormenor), pontos de vista (normal, picado, contrapicado)
e a regra dos 180º. Esta regra fala-nos de uma linha imaginária que não pode
ser transposta de forma a que não se quebre a continuidade (racord) da cena.
Etiquetas:
Animação
Local:
7800 Beja, Portugal
Animação III: Cut-Out Animation
Esta técnica Stop Motion – Cut-Out Animation – é fenomenal e uma das suas
maiores referências é uma senhora alemã chamada Lotte Reiniger. Dos vários
filmes que realizou aprecio particularmente uma curta metragem a cores
intitulada “The Frog Prince” de 1961.
Para obter mais informações sobre esta animadora e o seu processo de trabalho
recomendo o visionamento do documentário “The
Art of Lotte Reiniger”, de John Isaacs, de 1971.
Outra grande referência, o animador russo Yuriy Norshteyn, realizou um filme com recortes que é considerado o melhor filme de Animação de todos os tempos. “Tale of Tales” (“Skazka Skazok” de 1979) faz uso da técnica com recortes em multiplano.
Norshteyn tem ainda uma maravilhosa curta metragem que se chama “Hedgehog in the Fog” (“Yozhik v Tumane” de 1975), em que faz uso da técnica com recortes. Vale a pena ver e rever. Sobre este animador (e outros) recomendo o visionamento do documentário “Magia Russica”, de 2004.
Importante relembrar que as três primeiras longas metragens de Animação são feitas com a técnica Cut-Out Animation, muito antes do lançamento do clássico da “Branca de Neve e os Sete Anões” de 1937, considerado por muitos, erroneamente, como a primeira longa metragem. “El Apostol” de 1917 e “Sin Dejar Rastros” de 1918 do autor Quirino Cristiani (Argentina) são realmente as primeiras longas metragens realizadas, infelizmente perdidas para o público contemporâneo.
Em 1926 Lotte Reiniger lança a sua longa metragem de silhuetas, “The Adventures of Prince Achmed”, a única longa metragem sobrevivente anterior ao lançamento do referido filme de Disney. No documentário “The Art of Lotte Reiniger”, afirmam, erroneamente, que o seu filme sobre o príncipe Achmed é a primeira longa metragem de Animação. Esta longa metragem terá sido a razão pela qual surgiu em Portugal o primeiro filme de Animação de recortes (silhuetas), "A lenda de Miragaia", em 1931. A primeira curta metragem de Animação nacional é de 1923 e intitula-se "O Pesadelo de António Maria". Pertinente referir ainda que a primeira longa metragem de Animação portuguesa só surge em 2008 com o filme "Até ao Tecto do Mundo", um filme digital produzido pelo Cine-Clube de Avanca. Já os nossos irmãos brasileiros começaram mais cedo com a longa metragem animada "Sinfonia Amazônica", de 1953.
Outra longa metragem de recortes (fabulosa) é o “Twice Upon a Time” de 1983. Produzido por George Lucas e realizado por John Korty. Os recortes de plástico são retro-iluminados em mesa de luz nesta técnica que se chama Lumage. John Korty fez ainda várias curtas metragens utilizando esta técnica para a Rua Sésamo. No campo das curtas metragens de Animação com recortes não posso deixar de mencionar o realizador Terry Gilliam. Aprecio especialmente a curta metragem "Miracle of Flight" de 1974. Recomendo vivamente o visionamento do episódio sobre Cut-out Animation com o Terry Gilliam da série "The Do-It-Yourself Film Animation Show".
O filme sci-fi francês (co-produção com a República Checa) "La Planèt Sauvage" realizado por René Laloux (1973) com desenhos de Roland Topor (e animado no estúdio de Jiri Trnka) é uma longa metragem de Animação que recorre a recortes (de forma pouco ortodoxa). Este é um clássico de visionamento obrigatório. Para mais informações sobre o autor lê o artigo "The schizophrenic cinema of René Laloux" de Craig Keller (2006), disponível no site http://eurekavideo.co.uk/moc/catalogue/fantastic-planet/essay.
Uma Animação de recortes deveras original é a curta metragem "Fast Film" de 2003, realizada por Virgil Widrich. O filme é um tributo ao Cinema e faz uso de fotogramas de clássicos que são dobrados e manipulados... Mais informação sobre o filme e o processo de trabalho pode ser visto no site www.widrichfilm.com/fastfilm/.
A série animada com recortes "South Park" (www.southparkstudios.com), dos criadores Trey Parker e Matt Stone, faz parte da nossa memória coletiva e é um clássico popular incontornável. Não podia deixar de ser referido aqui. Em 1999 Trey Parker realizou a longa metragem "South Park: Bigger Longer & Uncut".
A técnica de recortes é uma técnica muito interessante para trabalhar com crianças e jovens devido à rapidez e resultados satisfatórios. Da forma como o faço com alunas da licenciatura de Educação Básica é necessário uma câmara de fotografar, uma Truca, um computador, cartolinas, pionés, materiais riscadores e tesouras. E muita criatividade...
Recomendo, para começar, a leitura do artigo "Imagens animadas realizadas por crianças na sala de aula: motivação, literacia e criatividade" disponível no site http://convergencias.esart.ipcb.pt/artigo/36.
Em baixo está uma curta metragem desenvolvida com alunas de Erasmus da licenciatura de Educação Básica do IPBeja:
Outra grande referência, o animador russo Yuriy Norshteyn, realizou um filme com recortes que é considerado o melhor filme de Animação de todos os tempos. “Tale of Tales” (“Skazka Skazok” de 1979) faz uso da técnica com recortes em multiplano.
Norshteyn tem ainda uma maravilhosa curta metragem que se chama “Hedgehog in the Fog” (“Yozhik v Tumane” de 1975), em que faz uso da técnica com recortes. Vale a pena ver e rever. Sobre este animador (e outros) recomendo o visionamento do documentário “Magia Russica”, de 2004.
Importante relembrar que as três primeiras longas metragens de Animação são feitas com a técnica Cut-Out Animation, muito antes do lançamento do clássico da “Branca de Neve e os Sete Anões” de 1937, considerado por muitos, erroneamente, como a primeira longa metragem. “El Apostol” de 1917 e “Sin Dejar Rastros” de 1918 do autor Quirino Cristiani (Argentina) são realmente as primeiras longas metragens realizadas, infelizmente perdidas para o público contemporâneo.
Em 1926 Lotte Reiniger lança a sua longa metragem de silhuetas, “The Adventures of Prince Achmed”, a única longa metragem sobrevivente anterior ao lançamento do referido filme de Disney. No documentário “The Art of Lotte Reiniger”, afirmam, erroneamente, que o seu filme sobre o príncipe Achmed é a primeira longa metragem de Animação. Esta longa metragem terá sido a razão pela qual surgiu em Portugal o primeiro filme de Animação de recortes (silhuetas), "A lenda de Miragaia", em 1931. A primeira curta metragem de Animação nacional é de 1923 e intitula-se "O Pesadelo de António Maria". Pertinente referir ainda que a primeira longa metragem de Animação portuguesa só surge em 2008 com o filme "Até ao Tecto do Mundo", um filme digital produzido pelo Cine-Clube de Avanca. Já os nossos irmãos brasileiros começaram mais cedo com a longa metragem animada "Sinfonia Amazônica", de 1953.
Outra longa metragem de recortes (fabulosa) é o “Twice Upon a Time” de 1983. Produzido por George Lucas e realizado por John Korty. Os recortes de plástico são retro-iluminados em mesa de luz nesta técnica que se chama Lumage. John Korty fez ainda várias curtas metragens utilizando esta técnica para a Rua Sésamo. No campo das curtas metragens de Animação com recortes não posso deixar de mencionar o realizador Terry Gilliam. Aprecio especialmente a curta metragem "Miracle of Flight" de 1974. Recomendo vivamente o visionamento do episódio sobre Cut-out Animation com o Terry Gilliam da série "The Do-It-Yourself Film Animation Show".
O filme sci-fi francês (co-produção com a República Checa) "La Planèt Sauvage" realizado por René Laloux (1973) com desenhos de Roland Topor (e animado no estúdio de Jiri Trnka) é uma longa metragem de Animação que recorre a recortes (de forma pouco ortodoxa). Este é um clássico de visionamento obrigatório. Para mais informações sobre o autor lê o artigo "The schizophrenic cinema of René Laloux" de Craig Keller (2006), disponível no site http://eurekavideo.co.uk/moc/catalogue/fantastic-planet/essay.
Uma Animação de recortes deveras original é a curta metragem "Fast Film" de 2003, realizada por Virgil Widrich. O filme é um tributo ao Cinema e faz uso de fotogramas de clássicos que são dobrados e manipulados... Mais informação sobre o filme e o processo de trabalho pode ser visto no site www.widrichfilm.com/fastfilm/.
A série animada com recortes "South Park" (www.southparkstudios.com), dos criadores Trey Parker e Matt Stone, faz parte da nossa memória coletiva e é um clássico popular incontornável. Não podia deixar de ser referido aqui. Em 1999 Trey Parker realizou a longa metragem "South Park: Bigger Longer & Uncut".
A técnica de recortes é uma técnica muito interessante para trabalhar com crianças e jovens devido à rapidez e resultados satisfatórios. Da forma como o faço com alunas da licenciatura de Educação Básica é necessário uma câmara de fotografar, uma Truca, um computador, cartolinas, pionés, materiais riscadores e tesouras. E muita criatividade...
Recomendo, para começar, a leitura do artigo "Imagens animadas realizadas por crianças na sala de aula: motivação, literacia e criatividade" disponível no site http://convergencias.esart.ipcb.pt/artigo/36.
Em baixo está uma curta metragem desenvolvida com alunas de Erasmus da licenciatura de Educação Básica do IPBeja:
sábado, abril 05, 2014
Animação II: Walking Cycles
Se o tipo de Animação que aprecias são trabalhos como os que são
desenvolvidos por Mirai Mizue, Len Lye ou Norman McLaren, estudar
Ciclos de Andamento (Walking Cycles)
para personagens pode parecer pouco pertinente, o que não significa que não enriqueça as tuas experiências.
O exemplo mais interessante de um filme que explora a fundo Ciclos de Andamento é a curta
metragem de Ryan Larkin, “Walking”,
de 1968. Esta curta produzida para o NFB foi nomeada para os Oscars. Para quem
quer desenvolver competências nesta área é um filme de visionamento
obrigatório. Outro autor muito interessante é Neil Sanders, vale a pena visitar o seu site (http://neilsanders.tumblr.com).
Depois de criar um personagem, pô-lo a andar pode ser relativamente simples
se usares alguns exemplos que se encontram online como a sequência de oito keyframes que o site angryanimator (www.angryanimator.com/word/tutorials) disponibiliza num tutorial. Já observei o uso deste
tutorial em um genérico para um programa da RTP Açores. Funciona e é muito
simples.
Em baixo podes observar as posições chave do ciclo de andamento. Uma chamada de atenção, a ultima imagem é a repetição da primeira, por isso falo em oito keyframes.
Em baixo podes observar as posições chave do ciclo de andamento. Uma chamada de atenção, a ultima imagem é a repetição da primeira, por isso falo em oito keyframes.

Outra forma de encontrar Walking Cycles na web é procurar o
brinquedo óptico Zootrópio que disponibilizo aqui um exemplo do site howtoons (www.howtoons.com).
Neste exemplo observamos em doze posições chave um homem a correr. Este loop resulta muito bem.

A cronofotografia e mais
especificamente o livro de Eadweard Muybridge, “The Human Figure in Motion”, é um bom ponto de partida para estudar
mais a fundo os Ciclos de Andamento.
Neste livro podemos observar vários
modelos (homens, mulheres e crianças) a andar, a correr, a saltar, etc. O Cinema de Animação tem uma grande dívida em relação a este senhor e a Étienne-Jules Marey.
Qualquer que seja a técnica de
Animação usada este é um livro de referência para quem quer animar personagens.
Falando em livros de referência é importante falar do imprescindível livro do
animador do filme “Who Framed Roger Rabbit”,
Richard Williams. O livro tem um nome longo: “The Animator’s Survival Kit – A Manual of Methods, Principles and
Formulas for Classical, Computer Games, Stop Motion and Internet Animator’s”.
Este livro tem tudo sobre Walking Cycles.
Mais informação sobre este livro e a
coleção de DVD’s de Williams pode ser encontrada no site http://www.theanimatorssurvivalkit.com.
Durante a sequenciação dos keyframes em software de edição não
linear é preciso ter presente uma questão importante: o que fazer com o personagem
e com o cenário.
Se o personagem está no centro da composição, então é o cenário que se desloca. O cenário pode ser “partido” em vários pedaços de forma a termos profundidade de campo (backrounds e foregrounds). A sincronização da velocidade a que o personagem se desloca e o fundo deve ser feita com cuidado de forma a não termos um personagem que não se integra no cenário.
Se o personagem está no centro da composição, então é o cenário que se desloca. O cenário pode ser “partido” em vários pedaços de forma a termos profundidade de campo (backrounds e foregrounds). A sincronização da velocidade a que o personagem se desloca e o fundo deve ser feita com cuidado de forma a não termos um personagem que não se integra no cenário.
Se é o personagem que se desloca
então este movimento deve ser feito com algum cuidado tentando manter os keyframes do personagem à mesma
distância para não haver “saltos” na Animação. Para tornar esta lenga lenga explícita e decifrável segue em baixo uma curta metragem desenvolvida por uma aluna de Artes Plásticas e Multimédia na cadeira que eu leciono - Animação 2D3D:
Se a “câmara” se desloca em travelling sem estar sincronizada com o
personagem podemos ter ainda outra situação, o personagem e os cenários
deslocam-se no écran. Este exemplo pode ser visível em um pequeno vídeo disponível no Youtube: www.youtube.com/watch?v=dW6plO3MH4Q.
Para obter mais informações sobre este tema procura Parallax Scrolling (muito útil em jogos de plataformas). O que está mais próximo da câmara/espectador move-se mais rápido, o que está mais afastado move-se de forma mais lenta, desta forma obtemos um movimento realista.
Outro método rápido e eficiente de obter Walking Cycles é desenhar sobre imagens de vídeo capturadas por ti ou por outro, o método da Rotoscopia permite um efeito muito realista e uma poupança de tempo considerável.
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