sexta-feira, abril 04, 2014

Webcomics I

Tenho vindo a acompanhar nos últimos anos um Webcomic intitulado “The Abominable Charles Christopher” (http://abominable.cc) do autor canadiano Karl Kerschl. A narrativa é uma adaptação livre da mais antiga história escrita que nos chegou aos dias de hoje, “O Épico de Gilgamesh”. Kerschl publica uma prancha todas as quartas feiras (quase sempre), desde 2007. Convém referir que esta BD online ganhou o Eisner Award na categoria de Best Digital Comic em 2011. Este evento existe desde 1988, mas só em 2005 surge o prémio para BD digital.
As características desta Banda Desenhada não permitem aferir de que se trata de um Webcomic puro e duro... não o é. Trata-se de uma BD que está disponível gratuitamente online e que também tem uma versão impressa. Isto não menoriza minimamente a sua qualidade gráfica e narrativa.
Ok, estão o que é um Webcomic?
Segundo Scott McCloud, um dos gurus da investigação sobre BD (lado a lado com Will Eisner), um Webcomic deve possuir determinadas características que nos permitam usar esse neologismo. O autor, no seu site (http://scottmccloud.com) fala-nos do conceito de “tela infinita”, onde o écran funciona como uma janela e navegamos pela BD através dos scrolls horizontal e vertical. O seu Webcomic “Zot!”, disponível no site, é um exemplo interessante com as suas vinhetas a ocuparem colunas que são visionadas (e quase que animadas) através do movimento do scroll. Destaco a terceira coluna desta BD digital em que o protagonista cai, depois da sua nave ser destruída. Acompanhamos a queda de Zot e da sua companheira através do scroll vertical numa única vinheta.
Outras características como o som, a interatividade e a animação são diferenciadoras em relação à BD tradicional, assim como o facto de os Webcomics não terem custos de impressão e os seus autores não estarem sujeitos a regras editoriais. São livres para fazer o que lhes der na gana.
Para além dos exemplos de carácter experimental do Scott McCloud e da interessantíssima narrativa de Karl Kerschl gostaria de referir um Webcomic que conta com várias sequências animadas, a narrativa “When I am King” do Webcartoonista suíço que se autointitula demian5 (www.demian5.com/king/wiak.htm). Esta narrativa sem palavras é viciante e hilariante e recomenda-se a sua "leitura". Outro Webcomic interessante é o "Pup Ponders the Heat Death of the Universe" (www.drewweing.com/puppages/13pup.html. O autor, Drew Weing, disponibiliza no seu site outros trabalhos seus.
Os Webcomics tem vindo a desenvolver-se e a tornarem-se frequentes. Numa pesquisa rápida encontramos milhares de exemplos online (uns bons, outros maus, outros mais ou menos).
Os Webcomics não irão substituir a BD tradicional impressa, mas já tem o seu lugar assegurado e a minha atenção enquanto leitor.

Animação I

Bruno Mendes da Silva tem uma frase deveras interessante sobre o que é Animação: “o que vemos, enquanto espectadores numa animação, não são as imagens que a compõe, são as diferenças entre elas. É a percepção das diferenças entre as imagens que nos transmite a ilusão do movimento.” A busca do Homem pela captura do movimento é ancestral e aparece-nos em pinturas rupestres com dezenas de milhar de anos em que animais são desenhados com várias pernas. Isto demonstra claramente a intenção do “artista” de fixar o momento em que o animal corre.
Estudos sobre a persistência da visão, a construção de vários “brinquedos ópticos” (a Lanterna Mágica, o Taumatrópio, o Zootrópio, o Flip Book...) e a invenção da Fotografia (1830's) abriram o caminho para a Animação e para o Cinema. A Animação, através do Teatro Óptico de Émile Reynaud, precede historicamente o advento do Cinema (data oficial:1895) e do Cinematógrafo dos irmãos Lumière, apesar de autores, como o Peter Kubelka, considerarem que o pai do cinema é o crono-fotógrafo Étienne-Jules Marey. Outra referência de peso e que merece um lugar especial na história do Cinema é o inventor Thomas Edison. Este teria precedido os irmão Lumiére se o seu projeto tivesse resultado em filmes projetados e não nas suas Peep Shows Machines.
Podemos afirmar que a Animação é uma arte que conta com mais de 110 anos de criação e produção e tem vindo a tornar-se um médium privilegiado na contemporaneidade. Já não é só um produto para crianças (nunca foi) e todos os anos rende milhões à indústria cinematográfica que invade as salas de cinema com filmes bons, maus e mais ou menos, há de tudo.
A Animação e aquilo a que comummente se chama Motion Graphics tem vindo a crescer e a invadir todas as plataformas nesta era de convergência tecnológica. Não são só as salas de cinema que estão a ser invadidas, a Animação aparece em videojogos, sites e aplicações para dispositivos móveis. Está por toda a parte... Urra!

o blog vive...

Este blog tem vindo a acumular lixo nos últimos anos (quase uma década), depois do reboot irei utilizá-lo para pequenos textos sobre Cinema, Animação, Banda Desenhada, Fanzinismo, Teatro de Marionetas, etc...
A intenção é partilhar ideias e poder ter um acervo de informação online para futuras incursões em graus académicos e outros projetos.

Marco Silva